O penúltimo dia do maior evento de moda da América Latina, a São Paulo Fashion Week, foi um dos mais ecléticos da semana. Teve alguns dos desfiles mais esperados como o de Alexandre Herchovitch masculino e Lino Villaventura. O primeiro, sobre o filme do sueco Igmar Bergman, O Sétimo Selo, resgata alguns de seus símbolos nos anos de carreira com uma make que remete a caveira, símbolo da marca de Alexandre. Em seguida Lino, que através de borboletas e pássaros deu asas a imaginação e nos proporcionou um lindo espetáculo.
ALEXANDRE HERCHOVITCH (masculino)
Alexandre foi fundo em sua essência dark de criação e personifica a luta entre o homem e a morte, muito próximo do inicio de sua carreira onde produzia peças mais ligadas a estética underground e da vida noturna da cidade de São Paulo. Sem dúvida ficou entre os melhores desfiles masculinos da temporada, roupas usáveis. O shape era mais solto e leve como pede o novo momento da moda masculina e os tons escuros misturados ao xadrez que também é clássico do universo do estilista.
"A alfaiataria é muito importante na coleção, que é basicamente preta e branca", explicou o estilista após o desfile. - Tem muitos casacos sobrepostos, muita mistura de capa com blazer.
OESTUDIO
A grife questionou os valores da indústria da moda, procurando estabelecer uma necessária cumplicidade com o conceito de sustentabilidade. Então, as soluções propostas se converteram em compromisso com uma moda atual, simples e urbana. Eles eliminaram o desfile real e apresentaram um vídeo numa gigantesca projeção. Eles falam em sua coleção do movimento da moda e da dinâmica da criação de uma coleção.
Pontos para sua alfaiataria que cresce muito a cada desfile.
JEFFERSON KULIG
Para a grife, fundamental são os cortes, as sobreposições e os efeitos plissados e vazados, que estabelecem intrigantes proporções em busca de uma nova identidade para uma mulher racional. Em uma apresentação curta, com cerca de 20 looks, ele levou para a passarela boas idéias de vestidos-camisetas, mas pesou um pouco na mistura de materiais. Pontos extras na utilização do laser na construção de uma renda menos feminina e mais hi-tech.
NEON
Com suas indeflectiveis bocas vermelhas, e cabelos brilhantes as mulheres ultra-sexys da Neon, marca conhecida por suas roupas coloridas e estampadas, pasmen, veio menos neon ou digamos mais sóbria mas nem por isso menos irreverente e chic.
Num clima safari, a marca trouxe uma coleção com menos estampas e muitas cores misturadas em shapes variados criando várias personagens nesse louco safari. Algumas caças e outras caçadoras. Corujas, elefantes tudo coube nessa apresentação que deu um up no já consagrado trabalho da Neon.
WILSON RANIERE
Simplicidade é a fórmula adotada pela grife para traduzir modernidade para sua coleção, roupas com cintilâncias e em cores discretas. O trabalho em moulage que já é bem conhecido do estilista, assim como as intersecções em materiais diferentes, que surgiu tímida em pequenos detalhes. As modelagens eram mais folgadas como nas calças largas que remetiam a saias.
LINO VILLAVENTURA
Uma incrível riqueza de detalhes explora cores densas e exibe uma coleção com uma sofisticação única. Uma moda produzida com sabedoria que revela modelos de grande presença visual e que se respalda em belas soluções já editadas no século passado. A novidade é que, desta vez, interferiu mais na forma das roupas, criando para algumas delas uma modelagem menos fantasiosa. Lino não é do tipo que segue tendências ou mesmo reedita fórmulas do passado, por isso o que foi dito acima, nada mais é do que uma alusão as formas através do qual este extravasa de forma poética suas próprias idéias, agora adequando isso, como neste desfile, a um público maior que sua cliente habitual. Ele ganhou muitos pontos.